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As pegadas deixadas por quem visita nossa alma

Pessoas que ocupam nossas almas nunca vão embora pra sempre e elas sempre terão acesso ao melhor de nós, em qualquer tempo e a qualquer circunstância.

Todos nós temos uma versão que é facilmente vendida ao outro que está se relacionando conosco no dia a dia. Como somos hábeis na criação de personalidades adaptáveis, tendemos a ter personalidades que estejam adequadas ao ambiente e às pessoas com quem nos relacionamos.

Quando estamos em casa, somos nós com mais honestidade. E quando estamos a sós, aí sim somos o que somos. Por este motivo quase ninguém conhece a gente de verdade. Primeiro porque muita gente não está conosco dentro de nossa casa – e muitas vezes preferimos que as pessoas sequer nos visitem. Segundo porque dificilmente alguém terá acesso a nudez da alma de alguém.

Todos nós vivemos um estado de cansaço e exaustão. O mundo está cansativo. O dia a dia está cansativo. Quando estamos a sós tendemos a relaxar o suficiente para que este cansaço se dissipe e cada um escolhe o seu jeito de relaxar. E é no estado de relaxamento que podemos conhecer melhor alguém.

Mas quantas vezes você esteve totalmente relaxado e, somando-se a isso, confortável ao lado de alguém? Ouso dizer que pouquíssimas. E que alguns muitos podem dizer que nunca tiveram esse conforto. Há pessoas que convivem por anos na mesma casa e não têm este conforto e não cabe aqui julgar o mérito das relações familiares.

Entretanto, o fato é o mesmo: quase nunca abrimos a porta da nossa alma para ninguém. E quando abrimos, o fazemos com algum medo. Porque é natural que as pessoas possam trazer algum dano ao manipular e visitar nossas almas. Somos todos humanos.

E quando abrimos a porta para alguém entrar? Por que o fazemos? Os motivos podem ser vários, desde uma abertura amorosa para que alguém possa lhe conhecer integralmente até mesmo uma intervenção psicológica ou psiquiatra em que se objetiva que o profissional possa ajudar conhecendo melhor os meandros da alma do sujeito.

Todas as vezes que abrimos a porta da nossa alma para alguém entrar, nem nós nem a outra pessoa que está entrando permanecem inalterados. Carl Jung tinha uma frase mais ou menos assim: “domine todas as técnicas, mas ao tocar em uma alma, seja apenas outra alma humana”. O expoente da Psicologia nada mais aconselhava do que: tenha o cuidado que gostaria que tivessem com você.

Até hoje, sou muito feliz nas aberturas de porta que fiz para que adentrassem minha mente. Alguns poucos amigos, minha psicóloga e algumas pouquíssimas paixões foram as pessoas que tiveram oportunidade de pisar na sala bagunçada da minha alma. A psicóloga, mais técnica, conseguiu passear por praticamente toda a casa. Um amor conseguiu passear por muitos cômodos e outro começou o passeio, mas acabou recuando. Os outros continuam na sala, inclusive as amizades. Mas estar na sala é estar dentro.

E quem está dentro de nossas almas tem um poder imenso. Porque para atravessar a porta, existe apenas uma chave de acesso: confiança. O que nos levaria a dar tão grande poder para alguém que pouco conhecemos? Talvez desespero se some às justificativas. Queremos, temos sede de amor e de abrigo emocional. Se encontramos uma pessoa confiável o bastante, não a queremos perder. E para isso nós acabamos atrelando a ela algumas chaves de nossas vidas e a chave de nossas almas.

Eu faço questão que qualquer pessoa que se envolva comigo saiba quem eu sou. Mas aprendi a tomar cuidado com o tipo de abertura e confiança que dou. Não tenho mais a mesma coragem de abrir a porta para qualquer um. E tomar esta decisão foi bem bacana porque eu acabei, na primeira oportunidade, carimbando uma chave de acesso que foi muito bem utilizada.

Pessoas que ocupam nossas almas nunca vão embora pra sempre e elas sempre terão acesso ao melhor de nós, em qualquer tempo e a qualquer circunstância.

Uma pessoa que acessou nossa alma jamais poderá se comparar a alguém que tocou nossas peles ou apenas mexeu com nossas emoções. Elas são tão privilegiadas do ponto de vista da raridade do acesso que tiveram porque são as únicas pessoas que numa eventual guerra gostaríamos de ter perto e não nos perdermos em nenhuma hipótese. Às vezes elas perdem poder de acordo com as circunstâncias sentimentais, mas elas nunca irão embora. Porque como eu disse anteriomente, quem entra nunca sai o mesmo.

E uma das coisas que deixamos quando estamos na casa de outra pessoa são as pegadas, as marcas, as nossas impressões mais pessoais.

Gente do bem entra na nossa alma, faz um passeio, busca, encontra e enaltece as coisas boas e nos incentiva a tratar as coisas ruins. Tive poucas experiências negativas a este respeito, mas as boas superam quantitativa e qualitativamente. Isto me faz querer continuar esse jeito de levar a vida. Todos os dias eu luto contra a vontade de me blindar e de não precisar governar emoções. E por ora, eu tô ganhando. E enquanto isso, minha casa vai ficando cheia de gente que deixa pegadas.

A Deus minha total gratidão porque a cada dia eu percebo que Ele me ama mais e mais. Que minha alma seja visitada. Que eu possa visitar outras almas. Que a confiança seja o elo das vidas humanas.

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