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Situações inéditas requerem decisões particulares

Qualquer decisão terá sido melhor que a decisão de não decidir.

Tenho dedicado muito tempo do meu dia a pensar indefinidas vezes sobre minhas incertezas e sobretudo minhas situações pessoais. Algumas me são inéditas, outras corriqueiras e repetidas. A mim falta coragem, vigor e vergonha na cara. Hoje eu quero falar sobre o que espera de nós as situações inéditas.

Corro o risco de ser lido por alguém que está diretamente ligado a uma das minhas situações consumidoras e inéditas. Torço para que passe desapercebido, assim tudo flui em paz.

Ao reservar tempo para pensar sobre isso, acabo me desligando de minha rotina comum. Tenho trabalhado cerca de 2 a 3 horas a menos por dia do que o expediente comum, visando assim reaver horas extraordinárias cumpridas no ano passado e cuidar da minha saúde mental.

Dediquei a última semana a compromissos um a um com amigos e companheiros de jornada. Visitei uma ex-vizinha na segunda, tive uma longa conversa com uma ex-colega na terça, participei de uma reunião com irmãos de fé e de trabalho eclesiástico na quarta, dei um passeio com um amigo na quinta e fui surpreendido com um convite de uma ex-colega na sexta. No sábado, encontrei-me comigo mesmo. E hoje, voltei meus ouvidos a uma desconfortável e necessária pregação.

Em todos esses dias, além do trabalho e dos compromissos, reservei também horas para pensar sem culpa em tudo que me rodeia e me cerca, falo das incertezas. Às vezes me cerco de pensamentos dolorosos, chego a passar alguns minutos querendo não ter começado a pensar.

O ineditismo de uma situação se dá quando esta não existiu anteriormente em sua vida. Eu nunca me mudei de cidade e vou me mudar. Eu nunca tinha conhecido alguém com que eu me sentisse tão seguro e confiante numa vida a dois e agora me vejo distante desta pessoa sem qualquer reação possível. Eu nunca tinha me visto tão endividado e agora estou, parecendo que luto contra moinhos. Eu nunca tinha tido tantas responsabilidades e agora tenho. Eu nunca me achei tão velho e agora acho. Eu nunca estive tão confortável em termos de reputação, reconhecimento não financeiro e estabilidade familiar, e agora vivo isto.

Em algum outro momento outras pessoas passaram pelo mesmo que estou passando. Hoje não me falta nada, sou abastado em termos de sobrevivência e privilegiado de muitas formas, mesmo com o salário mal conseguindo pagar as contas. Certamente as minhas situações e incompreensões não chegam perto de qualquer drama que outra pessoa, talvez até mesmo no meu raio de convivência, esteja vivendo. Mas me é característico ser reclamão.

Talvez um dos caminhos para achar soluções seja escutar a solução alheia. Mas nem sempre ele funciona, pois a solução alheia se aplica aos ambientes e atores envolvidos naquela situação de fato, não na minha. Por isso, fujo das respostas prontas e tento me dedicar a pensar e estruturar saídas.

Buscar decisões particulares para situações inéditas dá trabalho. Porque pensar requer tempo, silêncio e principalmente coragem pra aguentar muitas vezes a gente querer parar e não conseguir. Ou então fazer da incompreensão nossa amiga. Decisões particulares são, por força de sua própria nomenclatura, individuais. Requerem de nós personalização.

E personalização requer informação. Quanto mais informação se tem, melhor é a tomada de decisão. E quão melhor seja a tomada de decisão, mais chances há de dar certo.

Até o momento, muitas das minhas decisões já estão formatadas. É a primeira vez que consigo escrever um texto completo desde que comecei a pensar com frequência sobre estas situações. Isto é um sinal de que estão em fase final de cozimento, quase saindo do forno, as soluções e decisões particulares.

De algum modo, escutar o coração poderá fazer bem. E talvez seja isso mesmo que eu esteja querendo fazer, mesmo que lá no fundo eu esteja me culpando por não insistir, por deixar de lado, por não ser otimista nem pessimista demais. Quando esta sensação me aparece, tento me lembrar de minhas crenças mais intrínsecas, a de que Deus faz nascer o sol para todos e de que não há nada que me separe do amor de Deus.

Pode ser que a solução ótima seja uma decisão particular. E mesmo que não seja, terá sido melhor que a decisão de não decidir.

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Foto de capa: Pixabay/Reprodução

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

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