Categorias
Comportamento

Não existe arrependimento na entrega

Às vezes dói e dói muito não ter a projeção esperada. Também dói muito estabelecer um parâmetro e não alcançá-lo. Toda entrega é um convite ao outro e às situações de nos responderem, como uma relação de causa e efeito. Embora muitas vezes o resultado da entrega não seja o esperado, goza-se do fato de que não existe arrependimento na entrega.

“Entregue o seu melhor e isto será sua recompensa”, fiz isso como lema de vida nos últimos cinco anos que vivi. Aparentemente, é decadente a minha vida. Se olhada dez anos atrás, a decadência fica óbvia: perdi uma série de supostos dons que tinha. Na verdade, só fiquei mais humano e, em especial nos últimos anos, liguei o foda-se para muitas coisas privilegiando o que eu gostaria e não o que era esperado de mim.

Minha última sessão com a psicóloga, há vários dias, até o momento mexe comigo. Tenho tratado os meus esquemas psicológicos e me conhecido. “Parece muito tempo perdido nestas relações”, reclamei com a profissional mencionando todos os meus envolvimentos com pessoas que não passaram nunca de amizade. As relações românticas me são um peso muito negativo quando se fala de sucesso.

Mas há algo que eu realmente não posso me queixar: a qualidade da minha entrega foi sempre o melhor que eu podia dar (às vezes o meu melhor, no entanto, era o mínimo ou até menos do que a situação ou a pessoa merecia, mas era o meu melhor naquele momento). Se eu entreguei o meu melhor, minha entrega foi integral.

Entrar de corpo e alma nas coisas significa bem mais do que apenas ser intenso ou veloz demais. Significa dar o melhor, esperar o melhor e buscar o melhor. Se é atenção, dar toda possível. Se é recurso, ser o mais generoso possível. Se é envolvimento, promover o melhor enlace possível. E assim por diante.

Nós sempre identificamos muito facilmente quando alguém está dando o seu melhor, mesmo quando esse melhor não é nada que esperávamos. No trabalho, por exemplo, é fácil ver quando um colega está aprendendo algo novo e que, mesmo encontrando dificuldade e sendo bem lento no que está fazendo, ele está colocando o seu melhor: sua curiosidade, seu senso de urgência e sua atenção em realmente fazer e melhorar o fazimento de sua tarefa.

E nós? O nosso melhor tem que ser realmente uma entrega integral, completa, o mais próximo possível daquilo que gostaríamos que fizéssemos conosco, ou talvez, até mais do que gostaríamos. O nosso melhor não é balizado no que recebemos anteriormente, mas sim no máximo de nossas potencialidades.

A entrega, mesmo quando não alcança os objetivos mais implícitos, jamais produzirá qualquer sentimento de culpa ou impotência. A entrega integral pode produzir a sensação de não-correspondência, mas jamais irá permitir que haja arrependimento. Entregas completas geram entregadores satisfeitos.

Arrependimento é quando dizemos a nós mesmos que poderíamos ter feito melhor, mas se já fizemos o melhor, o arrependimento não tem razão para existir. Por outro lado, a vida entrega uma satisfação incomum: a de que a entrega integral nos leva a viver o extraordinário.

***

Foto de capa: Pixabay/Reprodução

Comente! Aqui é o lugar!

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: