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Comportamento

Uma pessoa que nos faz sentir bem

Quem nos faz sentir bem é como se fosse coparticipante de nossa personalidade porque… essa pessoa nos entende!

Tem uma frase muito comum nestes últimos dias rolando no Instagram: “opção tem de monte, eu quero é conexão”. Essa frase, em algum ponto prepotente, é muito intensa na sua intenção: o valor da conexão, o inestimável, é o que realmente importa.

Não há condição alguma que faça gerar conexão. A conexão ou existe ou não existe. Ela está ligada a valores, a atitudes e, principalmente, ao modelo mental de uma pessoa. Ou é ou não é. Por isso é muito fácil entender de cara quem faz a gente se sentir bem e quem não.

Uma pessoa que nos faz sentir bem nos entende. Não é só sobre ouvir, não é só sobre prestar atenção, não é só sobre comentar, é sobre entender. E entender é quando o silêncio, o olhar e o toque falam harmonicamente com as palavras. É no não-dito que se situa o entendimento mais profundo, o conforto e a inescrupulosa necessidade de querer sempre mais e mais.

Isso tem condições de acontecer muitas vezes na amizade. Mas quando acontece no amor é raro. Das raridades maiores, quando isso é recíproco, quando é correspondido. É esplêndido. E acontece, sim, acontece! É só estar aberto e buscar ser o melhor que possa ser que acontece. E o melhor, pode até acontecer mais de uma vez.

Outro fator de reconhecimento de quem nos faz sentir bem é sobre o tempo. Eu sou uma pessoa extremamente acelerada ao volante. É um defeito dos maiores. Altas velocidades nas pistas são um atrativo que me fazem de alguma forma sentir adrenalina. Até mesmo dentro da cidade, minha velocidade é acelerada. Somente quando estou com pessoas que me sinto bem e que não há pressa é que consigo me desacelerar. Ou em situações nas quais eu estou extremamente pensativo e letárgico.

Lembro com muita alegria e saudosismo de quando torcia para que o semáforo se fechasse enquanto duas mãos me abraçavam na garupa da moto. Também lembro de momentos em que compromissos estavam abaixo da pressa e a pressa abaixo do momento que vivíamos. O tempo é diferente quando uma pessoa nos faz bem. É como se o relógio tivesse uma frequência diferente quando uma pessoa que nos faz bem está conosco. Ao mesmo tempo que todo tempo é pouco, a pressa não impera.

Mais um fator de reconhecimento de quando alguém nos faz sentir bem é a balança do medo e da coragem sempre pender mais à coragem do que ao medo. Alguém que nos faz bem não coage pelo medo, pelo contrário, nos instiga a ser melhores e maiores do que já somos. Quem nos faz bem pode sim nos dar conselhos e nos apontar caminhos certamente arriscados, considerando dificuldades e tudo de ruim que pode nos acontecer. É papel da boa amizade ou do bom amor ser um conselheiro equilibrado. Mas quem nos faz sentir bem nos faz sentir corajosos.

Muitas foram as vezes que me sentei à mesa destruído pela angústia e me levantei revigorado. Quantas foram as vezes que o silêncio imperado na presença alheia se transformou em renovo. Quantas foram as vezes que quem estava do lado de lá da mesa me encorajava a lidar com muitas das minhas necessidades mais intrínsecas e que muitas vezes nem eu mesmo sabia identificá-las.

Um último fator que nos faz perceber que estamos com alguém que nos faz bem é nossa liberdade. Liberdade para dizer sim e não. Liberdade para opinar, para sermos nós mesmos, para falar a verdade, para fazer do conflito um passo do crescimento e não um passo da separação. Liberdade pra ir embora e pra ficar. Quem nos faz sentir bem é como se fosse coparticipante de nossa personalidade porque… essa pessoa nos entende!

Que as nossas companhias nos sejam visitas cada vez mais íntimas. Fique com o sombrio clipe da maravilhosa música “A Visita”, de Silva, o garoto da nova MPB:

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Foto de Capa: Pixabay/Reprodução

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