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Não ter que provar nada é a maior prova de confiança

Felizes os que confiam porque experimentarão o amor.

Confiança é provada? Não. Confiança é ato unilateral de entrega, mas que requer certo nível de ousadia para lidar com a desconfiança. Já falei sobre isso aqui por duas vezes. Mas hoje quero falar sobre as necessidades de provar e o quanto isso é oposto à confiança.

Você consegue ver, sem auxílio do espelho, seus próprios dentes? Não. Por este motivo, você contrata um profissional chamado dentista para cuidar deles. Ele abre sua boca, coloca um bisturi na sua gengiva, tampa uma cárie aqui, faz uma limpeza acolá e quando menos se espera, ele diz: pronto. Você confia que o trabalho feito está bom. Olha no espelho e realmente está.

Lançar luz sobre o profissional dentista e a relação de confiança que com ele desenvolvemos diz respeito à forma como lidamos com a confiança no outro. Diz respeito também ao fato de que confiamos com os olhos, na maioria das vezes, fechados.

E por que temos dificuldades em confiar? Porque fechar os olhos é ser vulnerável. É mais fácil fazer isso quando não temos escolha (o caso do dentista, por exemplo), mas é muito difícil quando podemos exigir provas e mais provas e outras provas mais. E constantemente fazemos isso em nossas relações.

Queremos que o outro prove pra gente que quer estar junto conosco quando bastava que ele estivesse. Queremos que o outro prove pra gente que nos ama quando bastava somente que ele nos amasse. Queremos que o outro prove suas habilidades, suas visões, suas palavras, quando na verdade, um olhar observador e uma convivência rápida seriam suficientes pra isso. Queremos, muitas vezes, que o outro entre em nossos jogos e nossos círculos de concorrência, quando na verdade bastariam dizer “eu quero você” um ao outro e isto já seria tudo.

Talvez tenhamos perdido a fé na humanidade, de forma mais genérica. Não é de se esperar algo diferente disso num mundo em que a violência, em especial a psicológica, tem destruído pessoas na sua forma mais vil, nas suas esperanças e consciências de si. Mas não há outra forma de enfrentar a desconfiança senão com a própria confiança, no seu sentido mais puro.

Conta a Bíblia que Jesus disse durante o sermão da montanha: “felizes os puros de coração porque verão a Deus” (Mateus 5:8). Parafraseando-o, eu diria: “felizes os que confiam porque experimentarão o amor”. Que a gente entregue confiança. E abandone as provas mesquinhas e desnecessárias.

*** Foto de capa: Pixabay/Reprodução

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