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Mulheres subjugadas pela privação da verdade sobre elas

O que é lindo ver são os sorrisos e olhos brilhantes de uma mulher que começa a perceber quem ela é e o potencial que tem.

Dias atrás, conversando com um colega de trabalho e amigo, separamos um pedaço de nossa manhã para falarmos – entristecidos e preocupados – sobre a geração que hoje está adulta no cume de suas vidas. Entre nossas preocupações, que a princípio parecem desnecessárias ou descabidas, estão a de que muitas mulheres estão presas a relacionamentos muito danosos, a boa notícia e percepção é que parcela delas têm se libertado de relacionamentos opressores, abusivos e desgastantes e finalmente têm conhecido o seu poder.

Histórica e biologicamente, a mulher sempre esteve numa posição extremamente desconfortável. O princípio: a mulher dá a luz, carrega um ser na barriga por uma ou mais vezes durante a vida, é submetida a um procedimento de parto que nada tem de indolor, vê-se condenada a uma fertilidade que dura pouco tempo em relação ao prazo total possível de sua vida e por fim e não menos importante, é atacada por sangramentos periódicos que alteram não somente sua rotina como sua pele, seus cabelos e suas emoções. Homem algum precisará lidar com isso durante toda a vida. Pesa sobre o homem outras responsabilidades e atribuições físico-emocionais, mas nenhuma das anteriores. E o pior, a mulher, ao nascer já é condecorada com estas características, não sendo possível escolher não passar por isto.

Ditas essas particularidades sobre o feminino, vamos afunilar a conversa. A mulher é, assim como os negros africanos trazidos como escravos para o Brasil, são privados das verdades a seu respeito. E isso é algo muito comum em muitos relacionamentos. São escassos os elogios, quase nulas as afirmações e quase sempre condicionadas as homenagens. E por que a mulher sofre com isso mais – muito mais – que o homem? Porque pesa sobre a mulher uma flutuação muito maior das emoções.

E a menos que essa flutuação das emoções seja bem trabalhada desde os primeiros anos da adolescência, a tendência é que a mulher chegue à vida adulta com uma maturidade emocional muito alta, mas com pontos gravíssimos de vulnerabilidade. Geralmente na adolescência, algumas vulnerabilidades começam a ser expostas e fortalecidas pelos ambientes e grupos sociais em que a mulher está inserida: a necessidade de aprovação tende a ser uma das maiores vulnerabilidades, não à toa a mulher tende a se preocupar tanto com sua beleza como se fosse um produto que precise estar sempre vistoso e na tábua de promoção do supermercado porque senão ninguém irá escolhê-la.

Erra quem pensa que isso acaba quando a mulher que vem de uma vulnerabilidade do tipo encontra um par. Pelo contrário, a tendência é que isso piore. Agora, o objetivo já não é mais somente ser escolhida todo dia (por isso, ameaças ao relacionamento costumam criar sentimento de inferioridade na mulher ao invés de fazê-la aumentar o ciúme), mas também criar formas de permanecer na vida da pessoa que a escolheu. Pra isso, aquelas que foram trabalhadas numa vulnerabilidade maior, podem apelar para uma gravidez indesejada ou precoce, ou ainda para fugas impensadas e sem planejamento, ou ainda para casamentos precipitados na ânsia de haver disponibilidade horária total ao par.

O que talvez não tenham te contado é que ao privar a mulher da existência de suas vulnerabilidades, privam ela também de saber e de reconhecer as suas fortalezas. Não à toa, vemos mulheres muito bonitas, organizadas em suas vidas e com valores muito escassos, que qualquer um de nós daria tudo que temos para viver com elas, caindo de dependência por homens que delas sugam toda sua energia emocional, sexual e afetiva e em troca oferecem apenas sexo e muita culpa, medo, dor, desafeto e escassez emocional. Mas por que estas mulheres, tão lindas, continuam com essas pessoas?

Reservo um parágrafo porque a resposta é simples, mas merece detalhamento: porque assim como tudo que é diabólico é mentiroso, a manipulação é feita com base na mentira e não na verdade. Nós, homens, detemos o poder do afeto, isto é, da oferta do afeto. Nas qualidades emocionais mais intrínsecas ao masculino está o afeto – se você estranhou ler isso, sugiro que leia a série Masculinidade aqui neste blogue ou então que leia a parábola do Filho Pródigo na Bíblia Sagrada – e como dominamos o afeto, escolhemos a quem oferecer. Já a mulher é afetiva por prática na maior parte do tempo, tendo isso não como escolha, mas como permanente prática. Quando um homem priva uma mulher de afeto, qualquer que seja o tipo, ela fica com dúvidas. Se ele a priva de respostas, ele a priva da verdade. E ao privar da verdade, ele joga e flerta com os sentimentos e reações, o que entra num plano subjetivo, terreno fértil para a manipulação. Privar uma mulher dela saber o que o seu par pensa dela é a maior morte que se pode causar a uma mulher.

Não é à toa que alguns homens são pedra no sapato de outros. Podem não ser bonitos, podem não estar em posições de riqueza, luxo ou poder, mas são dignos da confiança feminina. E por quê? Porque mulher alguma que é privada da verdade ficará igual ao se deparar com a verdade sobre si. E ao receber ao menos uma vez a verdade sobre si, elas tenderão a voltar sempre à fonte. Mas nem sempre os homens que levam as mulheres a enxergar a verdade sobre elas próprias são honestos e não são manipuladores, por isso um caminho mais seguro é sempre a terapia. Um(a) profissional irá conduzir a mulher ao discernimento e reconhecimento de verdades a seu respeito por meio de análises e ferramentas importantes.

Uma mulher que ouve do homem, em especial do seu esposo, namorado ou amigo íntimo, sobre suas qualidades, potencialidades e até mesmo sobre seus defeitos e fraquezas, tende a ser uma mulher mais forte e resiliente. Porque embora cada um de nós, seres humanos, somos diferentes e temos uma forma diferente de enxergar nosso mundo e também de nos sentirmos amados, nós também temos uma necessidade inata de nos relacionarmos com pessoas – a vida em comunidade é sempre necessária. E quando essa convivência, esse relacionamento, preza por honestidade e pela firmeza que a realidade nos conduz, a tendência é que nos tornemos mais fortes.

Por muitas e muitas vezes tive a oportunidade de conversar com mulheres que haviam recomeçado suas vidas após um término, um divórcio ou uma morte. Em todas, absolutamente todas elas, enxerguei a mesma coisa: a privação da verdade sobre elas, de um olhar que aponte para a construção e não para a destruição, de uma responsável condução a tratamentos psicológicos e psiquiátricos. Uma mulher que acabou de terminar um relacionamento pode estar ainda viciada em muitas das coisas que aquele relacionamento, abusivo ou não, trazia. Por isso uma certa distância e combinados muito honestos são necessários. O que é lindo ver são os sorrisos e olhos brilhantes de uma mulher que começa a perceber quem ela é e o potencial que tem.

O resto… Bem, o resto é com elas mesmas. Porque a mulher é resiliente por natureza. Feliz é o homem que se relaciona com uma mulher que não foi privada da verdade a seu respeito. Já aos que não tiveram oportunidade de trabalhar a sua masculinidade, essas mulheres parecerão muito arrogantes, egocêntricas e “independentes” demais, simplesmente porque não correspondem mais ao modus operandi doentio e com aspecto de surto coletivo em que muitos de nós vivemos.

Do homem é a liderança, da mulher é o governo. Do homem é a segurança, da mulher é a qualidade. Do homem é o amor, da mulher é o ensino. Que a gente viva sempre tendo oportunidades de ouvir boas verdades acerca de quem somos, homens e mulheres.

*** Foto de Capa: Pixabay/Reprodução

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