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Como saber se um momento vale a pena?

Que escolhamos sempre que possível, estar em lugares que realmente queiramos estar, com pessoas que realmente queiramos estar.

A nossa vida é feita de escolhas, muitas delas advindas de consequências de escolhas de terceiros. Ter domínio sobre a própria vida é algo necessário, mas nem sempre possível já que na maior parte de nossas vidas estamos, de algum modo, envolvidos em relações com outras pessoas e decisões muitas vezes são interconectadas.

Entretanto, nos momentos em que nós tomamos decisões particulares, como por exemplo se vamos a uma festa A ou a uma formatura B, se vamos a um curso C ou uma celebração religiosa D, muitas vezes nos deparamos com uma sensação de que gostaríamos de estar em outro lugar.

É o exemplo, muitas vezes, de pessoas que estando numa cidade gostaria de estar em outra para curtir uma atração que acontece ali naquele outro local. Mas em virtude de um compromisso em sua própria cidade, ela não pode ir até esse outro local e tenta acompanhar o que acontece na outra cidade para, mesmo que virtualmente, esteja ali presente.

Algumas dessas situações são comuns e toleráveis. Outras são intoleráveis. Se o compromisso real e físico, por exemplo, é uma conversa um a um, é muito difícil conseguir concentrar no teor da conversa sem estar com a mente desobrigada de preocupações exteriores. Mas se o compromisso real e físico for uma tarefa repetitiva do trabalho, acompanhar aquele outro momento de forma virtual pode trazer até mesmo uma situação de desestresse.

Quando executamos atividades as quais dependemos de atenção integral, é intolerável que dividamos nossa atenção com o que é virtual e longínquo. Aliás, torna-se uma traição a si mesmo e um desconcertante recado para sua mente: você não queria estar aqui. Por isso, sempre que puder medir se o momento que você vive vale a pena e vale estar integralmente ali, pergunte-se: eu gostaria de estar em outro lugar agora? Eu gostaria de viver outra realidade agora? Eu gostaria de estar com outras pessoas agora? Eu considero que estou perdendo algo ao estar aqui agora?

Se sua resposta foi “sim” para qualquer uma das perguntas, temos uma situação delicada: de um lado estará a viabilidade para ser considerada e do outro estará a sua compreensão. É preciso se perguntar: dá para eu estar no outro lugar? Se sim, outra pergunta surge: então, por que não estou? A resposta é livre e honesta, pois é de si pra si mesmo(a).

Agora, se é inviável estar em outro lugar, terá que ser exercida a compreensão. Não que seja necessário ficar feliz em estar num lugar em que não se queira estar, mas se contentar com a realidade. Somente assim é possível desfrutar de momentos integrais e completos que valem a pena.

O mais legal mesmo é quando escolhemos estar num lugar e ao fazermos a primeira pergunta desse texto, respondemos: não, é exatamente aqui que quero estar. Nem mais nem menos, aqui. Isto é gratificante porque de algum modo nos libera de uma série de preocupações, inclusive com os celulares e outras distrações provocadas pela tecnologia. Com isso podemos nos divertir e ter atenção total a tudo que nos acontece. O resultado: criamos em nossas mentes um estado de satisfação e memórias muito boas, o que nos condiciona a querer repetir e valorizar esses momentos.

Naturalmente, com o tempo, exercitando essas perguntas e sendo fiel a si mesmo estando em lugares que realmente se queira estar, as experiências vão se tornando mais frequentes e constantemente nos vemos invadidos por experiências novas, muito incomuns, simplesmente porque estamos com gente que a gente quer estar ou porque estamos onde realmente queremos estar.

“O preço de qualquer coisa é a quantidade de vida que se troca por ela”, arrematou Henry David Thoreau. “A coisa mais importante que uma pessoa pode dar a outra é o seu tempo”, sintetizou Whindersson Nunes. Se estamos com pessoas e em lugares que realmente queremos estar, nossa vida é uma vida que vale a pena, que aumenta a nossa potência de agir (conforme a filosofia de Spinoza). Se nossa vida é gerida por nós mesmos, se tomamos as decisões que queremos ou se pelo menos nos esforçamos para dar conta do mínimo que tende a nós, nossa existência faz sentido.

Portanto, que escolhamos sempre que possível, estar em lugares que realmente queiramos estar, com pessoas que realmente queiramos estar. Que possamos abolir, abandonar e suplantar de vez os termos e práticas: “fazer sala”, “fazer uma social”, “só cumprir tabela” e “queria mesmo era… [tudo que vem aqui só aponta para seu cinismo e incapacidade de decidir por você mesmo]”.

Que os nossos momentos valham a pena. E que possamos desfrutar de risos soltos, alegrias bobas, conversas profundas, ajustes necessários, evoluções humanísticas e outras tantas coisas que só estar no lugar certo e com as pessoas certas nos fazem atentar: estamos vivos e a vida passa rápido demais pra gente gastar à toa.

*** Foto de Capa: Pixabay/Reprodução

2 respostas em “Como saber se um momento vale a pena?”

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