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A bem do Brasil, Bolsonaro fora do segundo turno

Este é um posicionamento, você leitor fique à vontade para fechar o texto a qualquer momento.

Não é preciso muito para entender que aqui há um ser humano que não irá votar em Bolsonaro em 2022 e que não votou nele em 2018. Mas as razões pelas quais Bolsonaro não pode governar o Brasil em 2023, pelas quais ele irá ser o favorito num eventual segundo turno e pelas quais o voto em Lula será talvez o maior “voto útil” da História pós-democratização você só conhece se ler este texto até o fim. Este é um posicionamento, você leitor fique à vontade para fechar o texto a qualquer momento.

A princípio, olhando para as pesquisas eleitorais não é difícil perceber que a polarização entre Bolsonaro e Lula (líder das pesquisas) é a mesma que rondou as últimas eleições desde a redemocratização, sempre com PT e PSDB. No entanto, considerada a tragédia que foi a eleição de Jair Messias Bolsonaro como presidente, desta vez não se considera apenas a polarização, mas o projeto de Brasil que alertava-se em 2018 na campanha presidencial: Bolsonaro é conservador e seu projeto é totalmente fiel a este viés.

O brasileiro, no entanto, tem muito de conservadorismo em si. Não à toa, a religião católica é predominante. Evangélicos – ditos protestantes – acabaram por também se render ao conservadorismo nos últimos tempos. E na última década, vimos católicos e evangélicos se juntarem em torno de um projeto político de poder que desde a Reforma Protestante não se via. Estado e Igreja juntos nunca deram certo e nunca darão, pois são conflitantes em seus reinados. Fechar os olhos para isso é dar margem a todo tipo de injustiça gestada no seio de quem deveria promover a paz, a justiça e o amor.

Entretanto, o projeto político de poder de Bolsonaro que surfou na onda de aprovação dos evangélicos e dos conservadores de direita encontrou motor econômico nos representantes do agro brasileiro, que o apoiaram em peso. Com isso ficou fácil vencer a eleição. E para o segundo mandato de Bolsonaro, o agro continua como sendo a fonte maior de apoio financeiro e político da campanha bolsonarista.

Se entregarmos um eventual segundo turno ao Brasil com Bolsonaro como candidato, dificilmente haverá candidatura que consiga ganhar de Bolsonaro. Por isso, a bem do Brasil, Bolsonaro deverá estar fora do segundo turno. Por precaução. Arrisco a afirmar que numa eventual disputa sem Lula, até Moro, na sua paixão cega e parcialesca, seria um voto melhor que Bolsonaro num eventual segundo turno.

Bolsonaro é pitoresco, burro e agressivo. É maldoso, um estrategista de baixíssimo nível, é o pior presidente que este século registrou no Brasil e o segundo pior em toda a América Latina, perdendo apenas para seu par venezuelano, Nicolás Maduro. Bolsonaro é um conservador de direita, moralista sem moral e totalmente desqualificado em termos técnicos e sociopolíticos, é antidiplomático, machista, misógino e racista. É um Putin ocidental, sem o poder de estratégia bélica e de inteligência que o Putin real tem. Bolsonaro é antiquado, antiprogresso e religioso – no sentido mais inescrupuloso da palavra. Bolsonaro é o típico retrato do brasileiro que deixa de comer carne e tomar cerveja na Quaresma, mas se reúne para matar, sonegar e conspirar contra os outros. Bolsonaro, se estivesse nos dias de Cristo, ter-se-ia sido a personificação do povo que crucificou o Cristo. Bolsonaro é a representação de desgoverno e de mácula, é o resultado do abismo social em que nos aprofundamos desde as manifestações de junho de 2013. Se somos um país hoje dividido, quebrado e fragmentado, com Bolsonaro tendemos a uma guerra civil.

Feitas as devidas apresentações de quem é Bolsonaro, vamos aos seus frutos. Qualquer brasileiro que vá ao mercado hoje encontra uma situação impraticável. Qualquer sacolinha de produtos dá 200 reais. O gás, a gasolina, a carne. Tudo está caro e infelizmente quem ganha pouco não consegue comprar. Há gente morando na rua porque não tem como mais pagar aluguel. Há gente que não tem o que comer. E há um terço da população ao menos que não sabe se terá o que comer amanhã. É muita gente pra um país que vinha deixando de ser faminto, que vinha deixando de ser pobre, que vinha deixando de ser uma potência subdesenvolvida.

Se não basta pra você a situação dos outros, avalie a sua. Exceto se você for de classe média alta ou de classe alta, sua situação de vida piorou. Você ganha menos do que ganhava cinco anos atrás, retiradas as proporcionalidades do salário mínimo. E se não ganha mais, agora o salário mínimo é abocanhado por maior parcela de seu consumo. Não é que você esteja comendo mais ou melhor, é porque tudo encareceu e isto afeta desde quem nada tem até quem tem um pouco. Talvez você esteja empregado e deva se perguntar: os direitos trabalhistas que eu tenho hoje foram conquistados durante os anos de Bolsonaro? Não, do contrário. Desde Temer, a reforma trabalhista abocanhou direitos dos trabalhadores. Bolsonaro manteve os cortes e aprofundou uma política de precarização do trabalho.

Tirar o Bolsonaro do segundo turno é uma palavra de ordem. O governo do mandatário já provou estar pronto para tudo, inclusive para um golpe militar. Uma eventual vitória da oposição a Bolsonaro no primeiro turno selaria de vez o governo enfraquecendo as forças antidemocráticas do país. Já uma eventual passagem ao segundo turno fortaleceria proporcionalmente as forças antidemocráticas criando um cenário perfeito para a desestabilização e até mesmo um golpe militar nas suas características mais travessas possíveis. Tirar Bolsonaro do segundo turno, portanto, é uma questão de salvar a democracia e enterrar de vez este que terá sido o pior governo do milênio até o momento.

Por fim, se você irá votar em 2022, saiba que a escolha parece difícil, mas está simples: de um lado jogam os partidos que respeitam o jogo democrático e respeitarão os resultados de uma eleição bem como confiam nas urnas. No outro, está Bolsonaro, que está de posse do poder outorgado pelo povo e disposto a usurpá-lo se tiver sua vontade revogada pelo povo. Que as urnas nos mostrem o caminho de um Brasil progressista. E se você vai comigo nesta, estaremos do lado de lá, no Brasil democrático e progressista de 2023, na posse do novo presidente da República. Resista mais um pouquinho, eu sei que está difícil. Mas chegaremos se conquistarmos o voto de cada um de nossos concidadãos. Até lá.

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